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> OPINIÃO

 

Alcobaça, da Praia do Bilene ao Próprio Domínio - 10 Anos de História na Internet

A Internet, serviço que revolucionou ao mundo ao possibilitar a fácil partilha de informação e conteúdos conta já com algumas décadas de existência, ainda que, durante grande parte desse tempo não tenha estado acessível ao público em geral. O grande salto foi dado no final da década passada e a partir daí assiste-se a um crescimento vertiginoso e electrizante deste fenómeno que está a marcar a história mundial e que poderá ser o início de uma nova era. 

A resposta Alcobacense a este desafio não tardou e demonstrou mesmo algum pioneirismo. No passado mês de Novembro passaram 10 anos desde a entrada ao serviço do primeiro sítio Internet sobre Alcobaça. 10 anos que podem não parecer muito em termos históricos, mas que são extremamente significativos considerando o ritmo de crescimento deste novo meio de comunicação. 

Tudo começou no ano de 1997 e com uma pesquisa no motor de pesquisa português da moda, o SAPO, que na altura ainda era conhecido por “Serviço de Apontadores POrtugueses” e estava ligado directamente à Universidade de Aveiro. Mais tarde, e fruto do seu sucesso, viria a ser adquirido pela Portugal Telecom.
Eu, muito curioso nesta área ligada às novas tecnologias, onde era estudante, e num dos meus primeiros contactos com a Internet, tentei pesquisar nesta ferramenta o que existiria na rede relacionado com Alcobaça. Em segundos a resposta surgiu e foi decepcionante. “0 Resultado(s) Encontrado(s).”

Na verdade na Internet não existia nada sobre Alcobaça nem sobre nenhuma das cidades que tentei pesquisar. Apenas as grandes cidades de Portugal possuíam alguns sítios com alguma informação mas nada de muito significativo. Nada sobre Alcobaça, nada sobre Leiria, Caldas da Rainha, Rio Maior ou Marinha Grande. 

É entretanto que me surge a ideia. Bom, se não há nenhum sítio sobre Alcobaça, porque não criá-lo? Porque não aproveitar a oportunidade e fazer com que Alcobaça seja o primeiro concelho da região a ter presença na Internet?
Não tem a ver comigo ficar à espera que as soluções surjam e muito menos criticar por não existirem. O facto de nada existir foi encorajador e encarado como uma oportunidade para mim e para a minha cidade. Com algum espírito empreendedor meti mãos à obra e iniciei o projecto, a construção de um sítio de Alcobaça. 

O primeiro passo foi definir que tipo de sítio Internet pretendia e quais os conteúdos a incluir. Sendo Alcobaça um concelho turístico não foi difícil chegar a uma conclusão. O melhor para Alcobaça seria mesmo um sítio de divulgação da cidade, das suas freguesias e dos seus pontos de interesse, com informação útil a quem nos visita ou pretenda visitar.
Dirigi-me então ao Posto de Turismo de modo a recolher o máximo de informação que conseguisse. Juntei vários folhetos, reuni depois alguns livros e jornais e comecei então a digitar todos os textos que me pareceram de interesse.
Paralelamente investiguei quais as ferramentas disponíveis para a criação de uma estrutura deste tipo, possibilidades de alojamento, manutenção, etc. 

Na altura, e através de uma parceria com o governo, foi criado um serviço português de alojamento gratuito, o Terravista, que tinha como algumas particularidades a facilidade de registo, utilização e posteriores acessos. Era uma novidade que se tornou desde cedo num sucesso entre os “internautas” e que foi posteriormente responsável pela grande presença de conteúdos em português na Internet.
O modo de funcionamento do Terravista era simples. Os servidores estavam divididos em várias áreas que foram apelidadas de praias. Eram disponibilizadas várias praias, cujos nomes eram praias de Portugal e restantes países Lusófonos, e associado um porto, identificado por um número. Como não era disponibilizado o nome de nenhuma praia do concelho, fui pelo nome que me pareceu mais interessante e fácil de memorizar. Bilene foi a opção, com o seu porto 1754. Após o registo para o alojamento do sítio de Alcobaça, foi-me atribuído o endereço: http://www.terravista.pt/bilene/1754/. Creio que muitos ainda se devem lembrar… 

Encontrado um “tecto” para o sítio e compilada a informação que desejava incluir, faltava mesmo só definir o design e a sua construção, que foram executados de imediato. Ainda assim, todo este processo levou algumas semanas até conseguir ser uma realidade.
Apesar do recurso a ferramentas gratuitas disponibilizadas na altura, muitas ainda foram as despesas associadas a este projecto. Para as fotografias que decidi disponibilizar foi necessário o rolo, revelação e aluguer de um “scanner” para as digitalizar. Relembro que na altura não existiam ou não havia acesso a máquinas fotográficas digitais. O acesso à Internet também não era fácil como felizmente hoje é e muitas foram as horas de ocupação do telefone em chamada para o fornecedor do serviço. Para quem ainda era estudante, acabou por se tornar numa sobrecarga que levou mesmo a alguns sacrifícios. 

Terminada a construção do sítio e a fase de testes foi então feita a cópia para os servidores do Terravista e consequente disponibilização “online”. Tudo ficou pronto a 9 de Novembro de 1997. Um dia histórico para mim e creio que também para Alcobaça que a partir daí se deu a conhecer ao mundo no que é hoje o principal meio de comunicação mundial. Eis a seguir o aspecto da primeira versão disponibilizada: 

 Foi assim que Alcobaça se tornou na primeira cidade, no primeiro concelho de toda a região centro a ter uma presença na Internet. Antes de Leiria, antes de Caldas da Rainha e de muitas outras cidades e vilas. 

De seguida foi a fase da divulgação, através do registo nos mais diversos motores de pesquisa existentes em Portugal e a nível internacional. Em Alcobaça também o jornal regional “O Alcoa” acabou por dar um grande contributo ao divulgar na primeira página o endereço do sítio e alguma informação sobre o mesmo. 

O sítio foi sendo actualizado regularmente com novas informações e eventos que entretanto se fossem realizando, sendo para isso também necessária a leitura regular dos jornais regionais. O acesso a esse tipo de informação era difícil, ao contrário dos dias de hoje em que o email facilita a divulgação necessária. 

O sucesso foi imediato, aliado ao factor “novidade” deste tipo de conceito. O número de visitas não parava de crescer e era constantemente abordado por Alcobacenses que me felicitavam pela iniciativa. Era também grande o número de emails que chegavam com palavras simpáticas de apoio e felicitação. Foi um grande prémio por todo o trabalho desenvolvido e senti-me bastante lisonjeado com os comentários que eram tecidos. Encorajou-me a prosseguir com o trabalho e a manter este projecto cuja visibilidade começava a ser importante para a minha cidade e concelho. 

Durante muito tempo, este foi o único sítio referenciado pelos mais variados motores de busca. Qualquer pesquisa sobre Alcobaça apenas retornava um registo, o porto 1754 da praia do Bilene. 

Ponto alto para mim foi também o interesse despertado junto do histórico deputado municipal Rogério Raimundo, com quem me encontrei numa ensolarada tarde de fim-de-semana num simpático café de Alcobaça. Ainda assim, para além desse interesse nunca houve reconhecimento por parte de qualquer entidade ligada ao Município. Foi o primeiro sítio sobre Alcobaça na Internet e durante muitos anos, o único que levou o nome do município aos quatro cantos do mundo. De relembrar que o sítio oficial da C.M.A. ficou disponível quase 9 anos depois.
Mas no fundo também não era isso que pretendia. Já havia recebido o que para mim era o melhor dos prémios e que era o apoio de conterrâneos e visitantes do espaço Internet. Foram dezenas as visitas ao sítio nos primeiros dias que facilmente cresceram para centenas e mais tarde para milhares. Hoje ultrapassam as 50.000, o que é extremamente gratificante. 

Com o passar dos tempos foram surgindo novos sítios relacionados com Alcobaça, de empresas, instituições e escolas. Um dos primeiros, também considerado pioneiro foi o do grupo S.A. Marionetas ( www.samarionetas.com ) com quem houve sempre uma relação muito próxima, talvez fruto deste pioneirismo. Importante também o facto de este grupo de teatro ter sido o primeiro a divulgar eventos através da Internet e utilizando o email, o que passou a facilitar bastante o acesso a este tipo de informação. 

Passados alguns anos, surge a primeira grande dificuldade, O Terravista anuncia o seu fecho após o fim do apoio do governo e após se verificar que não se consegue a rentabilidade necessária para a sua manutenção através do recurso à publicidade. Existiam no entanto outras possibilidades do mesmo género mas com endereços bastante difíceis de memorizar e que recorriam à mostragem intensiva de publicidade. Não era bem isso que queria para os leitores e a opção final acabou por incidir num outro tipo de solução.
Através de uma assinatura num outro fornecedor de Internet por cabo era disponibilizado um espaço para alojamento para uma página pessoal. Esta assinatura seria bastante mais dispendiosa mas foi a melhor solução encontrada. De forma a melhor resolver o problema do domínio, foi encontrado na Internet um serviço gratuito de domínios com possibilidade de redireccionamento. Um domínio próprio ainda era dispendioso e estava fora do alcance. O endereço passou assim a ter o formato: http://come.to/alcobaca

Com a rápida evolução dos conteúdos e ferramentas disponibilizadas na Internet houve necessidade de melhorar o aspecto visual do sítio. Após longos dias e noites de trabalho foi concluída finalmente a segunda versão, de aspecto bastante mais moderno e agradável. 

Quis o destino então que me afastasse de Alcobaça e por vezes mesmo do meu país. A actualização do sítio ficou bastante comprometida em especial pelo facto de o fornecedor de Internet não permitir o acesso à área pessoal a partir de outra ligação à Internet que não a sua. A distância das fontes de informação era o segundo obstáculo.
Entrou assim numa fase crítica o projecto que até aí tinha levado tão a sério. Caíram por terra muitas das minhas pretensões a curto prazo para este espaço. O esforço para que tudo não se desmoronasse foi imenso contra muitas barreiras que se atravessaram no caminho. 

É nessa altura que um novo conceito surge na Internet e se torna um fenómeno. Os Weblogs, mais tarde abreviados para blogues ganham espaço nesta tecnologia e impõem-se de uma forma brilhante. O seu sucesso está relacionado com a sua facilidade de utilização e actualização e também pela sua flexibilidade. Para mim tinha uma excelente vantagem, poderia ser actualizado de qualquer parte do globo e sem necessidade de quaisquer ferramentas. Apenas um qualquer PC e uma ligação Internet, ao contrário dos tradicionais sítios, que exigem pelo menos editores “html” e utilitários de transferência de ficheiros através de “ftp”.
Pegando numa nova filosofia, inauguro assim o blogue Terra de Paixão ( http://terradepaixao.blogspot.com ), não com a ideia de substituir o sítio de Alcobaça, mas sim de o complementar e ir mantendo alguma actualização a nível de informação local. 

Um passo importante foi assumido entretanto através do registo do domínio www.alcobaca.com. O domínio havia estado registado anteriormente em nome de uma qualquer entidade, mas sem qualquer utilização. Assim que constatei a sua disponibilidade não perdi tempo e associei-o ao sítio de Alcobaça. Uma despesa extra mas de grande relevância para o sítio que iniciava assim uma nova fase.
Com um domínio próprio foi iniciada uma nova melhoria da imagem em função desta nova responsabilidade. Mais algumas horas de intenso trabalho e surge a que chamei de Alcobaça v3. 

 Apesar de tudo continuava a ser difícil a sua actualização e manutenção como espaço de referência. Ainda um novo fornecedor de Internet e a transferência para um novo espaço que, apesar de tudo, apresentava a mesma limitação. 

Por fim, e no último grande melhoramento do sítio, foi dado um passo importante com vista a combater a maior das limitações existentes. Após todos estes anos cheguei por fim à conclusão que a qualidade tem o seu custo e que através do recurso aos meios gratuitos não será nunca possível atingir níveis de qualidade superiores. O sítio de Alcobaça passou finalmente a estar alojado em servidores pagos mas de muito maior facilidade de acesso para a sua manutenção. São também disponibilizados vários serviços até aqui inacessíveis e que poderão, num futuro próximo, contribuir para enriquecer ainda mais o projecto. 

10 Anos que passaram, de esforço, sacrifício e bastante trabalho. Da “Praia do Bilene ao Domínio Próprio” foi percorrido um caminho longo, árduo mas muito gratificante. Durante todo este tempo muitos foram os sítios que vimos nascer e que morreram de seguida por falta de meios, de vontade ou talvez de ambição. No sítio de Alcobaça houve sempre bastante  empenho para contornar todos e quaisquer obstáculos que fossem surgindo e para seguir sempre em frente mesmo nas situações mais difíceis. Sem apoios, medalhas e/ou qualquer reconhecimento oficial, o sítio lá foi crescendo e elevando o nome de Alcobaça neste fenómeno que é a Internet. Isto, porque não se trata da procura de protagonismo ou qualquer outra manobra de afirmação pessoal. O gosto pela minha cidade, o meu concelho e a minha terra foram suficientes e são a grande locomotiva deste projecto, que espero ver crescer ainda mais. Apesar de tudo, Alcobaça merece!

Mário Bernardes

  


Comentários e/ou sugestões para:
alcobaca@yahoo.com